CRÔNICAS E PENSAR





Hierarquia e Burocracia

No dia 13 de agosto, próximo passado, o excelentíssimo Presidente da República determinou, via diário oficial, que o digníssimo Ministro da Educação solicitasse aos ilustríssimos Secretários Estaduais de Educação que mandassem, o quanto antes, os nobres Secretários de Educação dos Municípios, tomarem providências para que os abnegados Diretores de Escolas Públicas promovessem uma enquete, na qual os Professores deveriam opinar sobre a seguinte questão: Existe hierarquia e burocracia na Educação?
 
Einstein Augusto



METÁFORA DA FLORESTA


 Uma floresta, vista de longe e de cima, apresenta-se a um observador como uma grande e homogênea massa verde, um universo harmonioso. Todavia, vista mais de perto, a floresta se apresenta ao mesmo observador como um universo heterogêneo e conflituoso.
Enquanto o observador que visualiza a floresta de longe só consegue ver e perceber a existência das grandes e frondosas árvores, o observador que se aproxima, que se embrenha na mata, constata a existência de várias espécies de árvores (de diferentes famílias), em diversos estágios de desenvolvimento, desde a semente até a planta adulta.
Assim, por uma questão de perspectiva ou de ponto de vista, o mesmo ambiente, a mesma realidade, o mesmo objeto, o mesmo “texto”, pode ser observado, percebido e interpretado de diferentes maneiras.
Entretanto, não basta apenas perceber a existência da floresta ou somente constatar que ela se constitui de diferentes espécies. Também não basta observar que existe uma concorrência, uma luta – nesse caso, de vida ou morte – entre as diversas espécies de árvores. É preciso, sobretudo, reconhecer que a concorrência é desigual, que as forças que entram em choque são assimétricas, não têm a mesma intensidade.
No caso em questão, as diversas espécies de árvores, nos mais diferentes estágios de desenvolvimento, concorrem por espaço e por nutrientes do solo, por água e por luz solar. O desequilíbrio, a desigualdade, nesse caso, se apresenta da seguinte forma...
As árvores grandes, frondosas, em primeiro lugar, já conquistaram seu espaço no solo (processo que ocorreu gradativamente); além disso, tais árvores, por possuírem raízes igualmente grandes, retêm mais nutrientes e água do solo; por fim, por serem mais altas, por possuírem mais folhas captam e absorvem muito mais a luz solar.
Por outro lado, as árvores menores ou aquelas que ainda não atingiram a fase adulta – que não possuem raízes tão amplas e profundas, nem copas tão folhosas como as das árvores grandes – têm muito mais dificuldade de conquistar o espaço, os nutrientes e a água do solo e de ter acesso à luz; em outras palavras, têm muito mais obstáculos a superar para garantir sua sobrevivência.
Assim, somente se levarmos em consideração a assimetria das forças que estão em jogo, poderemos compreender porque algumas árvores sobrevivem e frutificam por décadas e, em alguns casos, até por séculos (por exemplo: a sequóia e o jequitibá), enquanto outras estiolam ou morrem na mais tenra idade ou nos primeiros estágios de desenvolvimento.
Todavia, afirmar que as árvores maiores – mais frondosas, mais folhosas, com raízes mais profundas etc. – têm vantagens ou que são privilegiadas nessa concorrência, não significa dizer que as outras, menores ou mais jovens, não tenham chances de sobreviver ou que jamais conquistarão o espaço, os nutrientes e a luz para atingirem a condição de árvores grandes e frondosas.
Pelo contrário, devemos lembrar que as árvores mais altas, as maiores, estão mais expostas a intempéries como chuva de granizo, vendavais, nevascas e que, além disso, podem morrer naturalmente, podem ser atacadas por alguma peste ou podem ser derrubadas por algum lenhador.
Caso transportássemos toda essa metáfora para o universo da História, poderíamos, baseados em Roger Chartier e em outros pensadores, interpretá-la da seguinte maneira: a floresta seria o “campo de concorrências e competições”(1); as diferentes espécies de árvores e as  famílias às quais pertencem seriam, respectivamente, as representações(2) e os grupos sociais(3) que as elaboram; o espaço, os nutrientes, água do solo e a luz solar seriam os bens sociais que são disputados; as raízes vastas e profundas, os troncos largos e frondosos, as copas altas e folhosas podem ser interpretadas como sendo as estratégias ou as estruturas de poder(4) que promovem e sustentam determinadas representações; as intempéries, a peste, a morte natural e o lenhador podem ser interpretados como forças sociais que contestam, resistem e atacam determinadas representações.      



1 - “Por isso esta investigação sobre as representações supõe-nas como estando sempre colocadas num campo de concorrências e competições cujos desafios se enunciam em termos de poder e dominação” (Chartier, 1990, p.17). Pierre Bourdieu, segundo Pesavento, define “o real como um campo de forças para definir o que é real” (Pesavento, 2003, p.41)    

2 - Uma representação pode ser entendida como uma “realidade social [...] construída, pensada e dada a ler” (Chartier, 1990, p.16). Assim, podemos aproximar o conceito de representação do conceito de leitura, pois, segundo Chartier, “a leitura é sempre apropriação, invenção, produção de significados”. (1999, p.77).   

3 - De acordo com Chartier, diferentes grupos sociais elaboram representações para, com elas, “tentar impor, a sua concepção do mundo social, os valores que são os seus, e o seu domínio” (Chartier, 1990, p.17). “Representações do mundo social que, à revelia dos atores sociais, traduzem as suas posições e interesses objetivamente confrontados e que, paralelamente, descrevem a sociedade tal como pensam que ela é, ou como gostariam que fosse (Chartier, 1990, p.19)  

4 - “As representações do mundo social assim construídas [...] são sempre determinadas pelos interesses de grupo que a forjam” (Chartier, 1990, p.17). “O mundo é construído de forma contraditória e variada, pelos diferentes grupos do social. Aquele que tem o poder simbólico de dizer e fazer crer sobre o mundo tem o controle da vida social e expressa a supremacia conquistada em uma relação histórica de forças. Implica que esse grupo vai impor a sua maneira de dar a ver o mundo, de estabelecer classificações e divisões, de propor valores e normas que orientam o gosto e a percepção, que definem limitem e autorizam os comportamentos e os papéis sociais” (Pesavento, 2003, p.41). Chartier, segundo Falcon, percebe que a “tensão entre as capacidades inventivas dos indivíduos ou das comunidades e os constrangimentos, as normas, as convenções que limitam – mais ou menos fortemente, dependendo de sua posição nas relações de dominação – o que lhe é possível pensar, enunciar e fazer” (Falcon, 2002, p.88).


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Grifo Nosso

            O Grifo é um ser mitológico representado pictoricamente como sendo um animal com corpo de leão e cabeça e asas de águia, ou seja, uma criatura meio leão e meio águia. E foi justamente um Grifo a criatura que Alcimar escolheu para representar uma de suas muitas idéias: uma coluna literário-filosófica. Será coincidência? Acaso? Acredito que não...
            Alcimar é um Grifo – digo “é” porque, assim como Schopenhauer e o próprio Alcimar, eu acredito na indestrutibilidade do ser. Alcimar é um Grifo pois é constituído de diferentes partes. A primeira parte é filósofo, a segunda parte é profeta, a terceira parte é místico, a quarta é crítico. E falo apenas das partes que eu conheço, mas ele é mais que isso.
            Alcimar é diferente, complexo, impenetrável, indigesto e por ser tudo isso é incompreendido e temido. E tudo o que a maioria dos seres humanos não compreende e teme ela rejeita; por isso Alcimar é rejeitado. Alcimar sabe disso. Mas saber que é rejeitado por ser incompreendido e temido não diminui a dor de ser rejeitado.
            Alcimar gosta de questionar e seus questionamentos são provocativos. Sua presença provoca, incomoda. Alcimar gosta de provocar, de incomodar porque o mundo o incomoda e ele quer retribuir com a mesma moeda. Alcimar se diverte incomodando, deixando as pessoas e as instituições sem resposta, sem reação.
            Alcimar é a mosca na sopa, é a pedra no sapato de muita gente, mas, para nós – seus amigos de verdade – ele é o Grifo Nosso, um ser singular que a despeito da morte do corpo físico continua vivo, muito vivo, em uma dimensão diferente da que estamos neste momento.   



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SAPATO

13 de maio de 2011


          Hoje cedo, enquanto eu caminhava tranquilamente para o meu trabalho, um homem - aproximadamente 35 anos, maltrapilho, sujo, fedido, aparentemente com problemas mentais - que vinha na mesma calçada mas na direção oposta parou a uns 3 metros à minha frente, tirou o sapato do pé direito, deixando-o lá no meio da calçada e continuou a caminhar, passou por mim e seguiu o seu caminho sem olhar para trás nenhuma vez...
          Parei, olhei para o sapato, olhei para homem... dei mais alguns passos e novamente olhei para o homem e olhei para o sapato e de novo olhei para o homem, que dobrava a esquina... por alguns instantes fiquei ali parado olhando para o sapato e para a esquina, talvez esperando que o homem voltasse e buscasse seu sapato, mas ele não voltou!!!
          Aquela cena - na verdade, aquele belo discurso - me fez refletir. Lembrei e pensei sobre aquela cena - que aconteceu por volta das 8 da manhã - o dia todo; agora, 9 da noite, consigo enxergar e extrair duas diferentes mensagens ou metáforas implícitas, que posso traduzi-las ou transcrevê-las mais ou menos assim:
         “Se algo te incomoda, livre-se imediata e absolutamente disso, pois nada é indispensável (nem os sapatos) e despreze o que vão pensar ou dizer sobre a sua ação (não olhe para trás)”.
          A outra mensagem/metáfora é mais pesada, mais triste, pelo menos para mim:
         “Juntos formamos um corpo social (o homem maltrapilha, sujo, fedido, com problemas mentais) que simplesmente descarta, abandona no meio da rua o sapato que nos incomoda (sapato = bêbados, drogados, desempregados, sem-teto etc.) e nunca mais olhamos para trás nem voltamos para buscá-lo”.
         Isso é tudo! É pouco, mas é o suficiente para começarmos ou continuarmos a refletir sobre nós e sobre a sociedade que constituímos.


Einstein Augusto



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RIO DE SANGUE

Rio de Janeiro, cidade maravilhosa! É assim que muitos brasileiros e estrangeiros viam e denominavam o Rio, talvez agora possamos entender o que o compositor e cantor carioca Marcelo D2 quis dizer, em uma de suas músicas, quando escreveu: “É muito fácil falar de coisas tão belas, de frente pro mar mas de costas pra favela”. Como se não bastasse, nessa mesma música, intitulada “021” – referência ao DDD do Rio – Marcelo complementa: “Sarajevo é brincadeira, aqui é o Rio de Janeiro”.


Não é preciso ser um gênio, nem ter o nome de um, para saber que o que está acontecendo hoje no Rio de Janeiro – e que o Brasil e o mundo estão assistindo pela televisão e pela internet – é o produto de décadas e décadas de negligência, descaso, menosprezo por parte das diferentes instâncias do poder, para com as favelas, que no caso em questão representa a camada populacional menos favorecida social e economicamente, mais vulnerável e, contraditoriamente, mais numerosa da sociedade brasileira.


As raízes das “gigantescas árvores” do crime, que hoje o governo carioca está tentando arrancar à força, começaram a se desenvolver logo nos primeiros anos da Ditadura Militar – para se ter uma ideia, mesmo que superficial, basta assitir ao filme “Cidade de Deus” – pois para os militares daquela época o verdadeiro perigo estava no consumo de determinadas ideias políticas (especificamente as ditas “subversivas”) e não no consumo de diferentes drogas, que eram até bem quistas pelos militares pois facilitavam e propiciavam a alienação com relação às questões políticas, segundo uma amiga que viveu o período em questão no Rio.


“Quem planta, colhe”. Isso não é apenas um ditado, é uma lei, que diferente da nossa é inflexível. O triste é que o que no momento estamos colhendo são vidas, de civis inocentes, de militares e dos ditos “bandidos”. Mas essa é uma outra questão que podemos explicitar apoiados agora em uma música do Chico Science que diz assim: “E quem era inocente hoje já virou bandido pra poder comer um pedaço de pão todo fodido. Banditismo por pura maldade, banditismo por necessidade”. Assim como Chico Science acredito e diferencio essas duas forças motivadoras do crime: a maldade e a necessidade.


Fico imaginando quantas vidas não poderiam ter sido preservadas (não só nesse episódio do Rio de Janeiro, como em muitos outros, menos visíveis mas não menos trágicos) se os poderes Legislatiivo, Executivo e Judiciário – em seus diferentes âmbitos: Federal, Estadual e Municipal – simplesmente justificassem sua existência e funcionassem efetivamente, oferecendo condições e oportunidades para todos, ou melhor, para cada um.


Sei que é um sonho, mas, quando a realidade se torna um pesadelo, nada melhor que sonhar, “porque sonhar é esquecer e esquecer é muita vez toda felicidade da vida”, como dizia Machado de Assis.


Einstein Augusto


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NÃO ACREDITO EM MILAGRES, MAS...



Prezado Sr. Expedito


Sou uma pessoa absolutamente cética, não acredito em milagres, porque acreditar em milagres é acreditar na possibilidade de que as leis da natureza possam ser derrogadas; por conseguinte, acreditar na derrogação de uma lei natural é o mesmo que acreditar na derrogação de todas elas, lembrando que a derrogação de todas as leis naturais significa o estabelecimento do caos.


Uma vez que a instauração do caos tem como conseqüência imediata a aniquilação da ordem, e que a aniquilação da ordem significa a aniquilação de mim mesmo, não devo e não posso, em hipótese alguma, acreditar em milagres, caso contrário, terei minha existência ameaçada.


No entanto tenho uma filhinha de sete anos que tem leucemia – que, caso o Senhor não saiba, é uma espécie de câncer que afeta o sangue. Além disso, numa das transfusões de sangue que precisou fazer, ela foi contaminada pelo vírus da AIDS. Segundo os médicos só um milagre pode salvá-la.


Diante disso, Senhor Expedito, venho humildemente solicitar de Vossa Excelência um empenho no sentido de livrar da morte minha querida filhinha.


Caso o Senhor atenda expeditamente minha solicitação, firmo e assumo junto à Vossa Excelência o compromisso – para não dizer a promessa – de caminhar, carregando a efígie de Vossa Excelência, sem intervalo, do Oiapoque ao Chuí, assim que obtiver a graça, ou melhor o atendimento dessa solicitação.


Assinado: Incoerêncio da Silva

Obs: Dedico esta carta a todos aqueles “heróis” que lutam contra forças ou entidades que, “incompreensível” e maquiavelicamente, se utilizam do trabalho e da força desses heróis para perpetuar sua nefasta existência, oferecendo aos mesmos em sinal de reconhecimento por seus inestimáveis serviços prestados a garantia de sua subsistência.

Einstein Augusto

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COTAS E TOLERÂNCIA



Venho observando que alguns Estados Nacionais abriram recentemente concursos públicos para Chefes de Estado, sendo que aparentemente tais concursos adotam ou levam em consideração a tão propalada política de cotas.


Exemplifico: nos Estados Unidos, pela primeira vez um homem negro ocupa a Casa Branca (em nossa concepção, branca não por acaso, posto que o branco representa o bem, a luz, a paz, ou, se quiser, a salvação. Nada mais apropriado para um país que se considera o Cristo do Mundo, mas que na verdade é mais vil que Judas). Na Argentina, uma mulher administra a Casa Rosa. E no Brasil, daqui alguns dias, uma mulher irá imperar em dois Palácios e em um Congresso.


Acredito que isso signifique ou prove que atualmente nós – seres humanos – estamos juntos produzindo uma atmosfera favorável à diversidade e às diferenças. Espero sinceramente que tudo isso signifique que esteja próximo o tempo em que reconheceremos e respeitaremos a humanidade do “outro”, o direito do “outro” ser como ele realmente é (e não como gostaríamos que fosse).


Assim quem sabe seremos mais tolerantes como Voltaire anelava que fôssemos com as diferenças, sejam elas quais forem: de credo, de cor, de classe, de sexo, de nacionalidade etc.


Einstein Augusto

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METÁFORA DA REFORMA ORTOGRÁFICA

Muito se tem discutido, atualmente, a reforma ortográfica, os benefícios proporcionados e transtornos causados por ela. Entra letra; sai trema; põe acento; tira hífen... Tantas alterações e mudanças que quando aprendermos a utilizá-las, a colocá-las em prática uma outra reforma já vai estar sendo cogitada.

Particularmente, gosto da língua portuguesa e por gostar e não ter outra alternativa – uma vez que “o que não tem remédio, remediado está” – vou me esforçar para aprender rapidamente essas novas regras e mudanças impostas que, diga-se de passagem, considero insignificantes.

Acredito que o maior propósito ou objetivo por trás dessa reforma não é unificar e padronizar a escrita dos países de língua portuguesa, mas sim ampliar os horizontes do mercado editorial, ou seja, pura e simplesmente: vender livros, multiplicar o número de consumidores para uma mercadoria em franca ascensão.

Aproveitando o ensejo, proponho uma reforma muito mais profunda e relevante: sugiro que eliminemos – não apenas da língua portuguesa, mas de todas as línguas – os pronomes possessivos da 1ª, 2ª e 3ª pessoa do singular (meu, teu, dele) e os da 2ª e 3ª pessoa do plural (vosso, deles). Isto é, sugiro que de hoje em diante só seja usado, em todo o mundo, o pronome possessivo na 1ª pessoa do plural: nosso.

Justifico: acredito que, uma vez que se eliminassem tais pronomes, a maioria dos problemas da Humanidade seria igualmente eliminada, pois a posse – a ânsia de possuir ou o desejo de manter a posse, – é o grande motor da discórdia e consequentemente da violência entre os homens.

Bombardeados por campanhas publicitárias que inculcam e alimentam incessantemente a necessidade de possuir, o desejo de ter para ser, os indivíduos que não possuem querem possuir de qualquer jeito, (mesmo que à força ou à mão armada, já que a configuração social que vivemos não oferece oportunidades iguais para todos); por outro lado, os que possuem usam de todos os meios (inclusive agressões e mortes) a fim de perpetuar o seu domínio sobre uma determinada propriedade.

Partindo do princípio que “violência gera violência”, fica fácil entender o caos nosso de cada dia: a miséria grassando por todos os lados, cercando uma minúscula ilha de opulência; a desvalorização da vida (que pode custar um tênis ou um relógio usados); a banalização da violência. Em outras palavras, a desumanização do mundo.

Diante disso, acredito que se eliminássemos tais pronomes – meu, teu, dele, vosso, deles – e começássemos a “pensar no plural”, no coletivo, faríamos a mais profunda e radical reforma já vista e, certamente, o mundo seria diferente, quem sabe até melhor.

Claro que isso, além de ser uma metáfora, é, antes de tudo, uma utopia, um sonho, mas como diria Machado de Assis: “sonhar é esquecer, e esquecer é muita vez toda felicidade da vida”.


Einstein Augusto

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A NATUREZA CONTRA-ATACA


Acompanhamos boquiabertos nos últimos dias uma verdadeira enxurrada de notícias sobre diversas catástrofes naturais ocorridas ao redor do mundo. No entanto, o momento é de fecharmos a boca, abrirmos os olhos e refletirmos sobre nossa relação com a Natureza.

Existe, já há algum tempo, uma corrente de pensamento denominada “pessimismo cultural”, que é composta por um conjunto de idéias das quais podemos destacar o ambientalismo, a singularidade tecnológica e o orientalismo.

Sucintamente podemos dizer que o ambientalismo baseia-se na idéia de que a Natureza, ou seja, a Terra é um organismo vivo do qual nós – seres humanos – dependemos para continuarmos vivos.

A singularidade tecnológica fundamenta-se na hipótese de que, daqui a algum tempo, devido aos incessantes avanços tecnológicos, surgirão máquinas inteligente capazes de dominar e subjugar os seres humanos.

Já o orientalismo surge nesse contexto como solução aos problemas do Ocidente, isto é, uma vez que o Ocidente vê o Oriente como “o outro”, como o diferente, como o seu oposto, nada mais lógico que acreditar que esse outro, esse diferente possa fornecer as respostas aos problemas que até agora não conseguimos solucionar.

Todavia, para o assunto em questão – a reação da Natureza –, o ambientalismo é o que mais nos interessa.

Como já dissemos, para o ambientalismo, a Terra é um organismo vivo que, assim como todo organismo vivo, identifica e combate corpos estranhos que possam ser nocivos, que possam oferecer perigos a sua existência.

Então, pode-se dizer que a Terra identificou o ser humano como sendo o “vírus” que a está atacando e para não sucumbir diante dessa ameaça real precisa se defender e urgentemente reagir.

É o que, a cada dia e com uma intensidade crescente, estamos assistindo: o contra-ataque da Natureza. Contra-ataques que assumem as diferentes formas de cataclismos naturais, epidemias e doenças incuráveis como a Aids e o Ebola.

Em outras palavras, o que estamos vendo acontecer no Chile, no Haiti, em Santa Catarina, por exemplo, é a manifestação concreta dos meios que a Natureza encontrou para combater e eliminar seu agressor, esse “vírus” denominado ser humano.

Diante disso, nós, seres humanos, se não quisermos ser eliminados, devemos mudar nosso pensamento e, principalmente, nossa atitude de “vírus” devastador diante da Natureza. Caso contrário, não sobreviveremos para contar o fim dessa história.

Einstein Augusto


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DIA DA MULHER



A mudança, a transformação, a revolução, a beleza, a justiça, a harmonia, a paz, todas essas palavras têm em comum a sua feminilidade... Talvez isso seja um sinal; sinal de que existe uma relação íntima entre essas palavras, uma relação de parentesco, de afinidade, de necessidade.

Particularmente enxergo a seguinte relação entre tais palavras e a sua comum feminilidade: a paz, a harmonia, a justiça, a beleza só existirão verdadeiramente se houver uma mudança, uma transformação, uma revolução em todos os valores, em todas as concepções e em todas as ações humanas. Mas onde está a feminilidade nisso? O que o caráter feminino das palavras tem a ver com isso?

Para mim é claro: uma vez que todas essas palavras são femininas somente as mulheres são capazes de compreendê-las e de transformá-las em realidade. O que quero dizer é que se é verdade que se não houver uma transformação não haverá beleza, nem justiça, tampouco paz, é igualmente verdade que sem a atuação, a participação ativa e integral da mulher jamais será possível se falar – e muito menos realizar – uma mudança, uma transformação profunda nas concepções e nas ações humanas.

Acredito que somente a mulher – como mãe, como esposa, como irmã etc. – tem o poder de mudar o mundo para melhor, de metamorfoseá-lo, de transformar o “pântano”, o “lamaçal” em que vivemos em um campo fértil ou em um jardim. Primeiro porque somente a mulher tem o poder de gerar, de criar, de parir; segundo porque somente a mulher, no papel de mãe, sabe amar de verdade: integral e abnegadamente; terceiro porque, assim como a natureza, a mulher tem o dom de ser pródiga, de ser dadivosa.

Diante disso, é com a vontade, a necessidade e com a esperança de um dia termos um mundo melhor – um mundo novo, gerado, parido, criado e acalantado nos braços e nos seios das mães, soberanas da humanidade – que desejo a todas as mulheres felicidade, saúde e força, muita força. Feliz dia das Mulheres!

Einstein Augusto














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