quarta-feira, 2 de julho de 2014

BODE EXPIATÓRIO



Com o bode expiatório é assim
Sempre inventam um bode novo
Quando um velho chega ao fim

Essa é uma história
Muito antiga e repetida 
De uma verdade escondida 
Por quem está no poder
Vira e mexe a gente vê
No jornal e na TV
Uma conversa estranha
Meio difícil de entender

Com o bode expiatório é assim
Sempre inventam um bode novo
Quando um velho chega ao fim

Sempre inventam um inimigo
Para o povo detestar
Para o povo se entreter
Ontem ele foi vermelho
Amanhã vai ser amarelo
Mas se prestar atenção
É muito fácil ver o elo

Com o bode expiatório é assim
Sempre inventam um bode novo
Quando um velho chega ao fim

O inimigo é sempre aquele
Que não concorda com o rei
Ou que questiona a sua lei
O inimigo é sempre aquele
Que pensa e age diferente
E só por isso nem é gente

Com o bode expiatório é assim
Sempre inventam um bode novo
Quando um velho chega ao fim

Num tempo foi a bruxa
Noutro tempo foi o judeu
Na antiga Judéia
O bode foi um Galileu
Mais modernamente
O bode um dia foi o Iraque
Noutro dia foi o Irã
Um dia foi o Bin Laden
Noutro dia foi o Saddan

Com o bode expiatório é assim
Sempre inventam um bode novo
Quando um velho chega ao fim

Hoje o bode brasileiro
Não é o sindicalista
Tampouco é o maconheiro
O bode do momento
Participa do movimento
Das grandes manifestações
É o vândalo, o arruaceiro
O Black block-guerrilheiro

Com o bode expiatório é assim
Sempre inventam um bode novo
Quando um velho chega ao fim

Nenhum comentário:

Postar um comentário